Os preparativos espirituais, materiais e sociais para Sagração do Santuário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus chegavam aos seus dias finais no dia 30 de maio de 1975, quando teve início a solene novena realizada na parte externa do Santuário, pois o interior ainda estava em fase de conclusão.
O dia 8 de junho de 1975, dia da Sagração do Santuário, ficará marcado na história do Santuário e de Conselheiro Lafaiete como um dos mais brilhantes e festivos. Na Sagração estavam as seguintes presenças: Dom Carmine Rocco, o representante do Papa Paulo VI, Núncio Apostólico no Brasil; Dom Oscar de Oliveira, Arcebispo de Mariana-MG; Dom Geraldo de Proença Sigaud, Arcebispo de Diamantina-MG; Dom Daniel Tavares Baêta Neves, Arcebispo de Sete Lagoas-MG; Dom José da Costa Campos, Bispo de Valença-RJ; Dom José Gonçalves, Bispo de Presidente Prudente-SP, e mais 34 sacerdotes. Também estava presente o pai do Pe. Hermenegildo Carvalho, Antônio Augusto Carvalho, como representante oficial do senador e então presidente do senado, Dr. José de Magalhães Pinto, Presidente do Senado. Além deles, dentro e fora do Santuário estavam cerca de 50 mil fiéis. Na Sagração dos altares foram colocadas as relíquias de São Pio e Santa Vitória no altar-Mor; e as de São Vitorino e Santa Paulina no altar da capela do Santíssimo Sacramento.

Na torre de 21 metros de altura, foi colocada uma belíssima imagem do Sagrado Coração de Jesus, feita de alumínio da cidade mineira de Ouro Preto (Saramenha), extraordinário trabalho totalmente idealizado e realizado pelo Sr. Vicente Martins da Silva em seu próprio sítio. Com 6 metros de altura, nela se gastaram 2.500 kg de alumínio. A Imagem foi colocada no alto da torre em 1975, no dia 8 de dezembro, a pedido do autor, devido à sua fervorosa devoção a Nossa Senhora. O ato de alocação da Imagem foi realizado às 14 horas, horário cuidadosamente escolhido pelo Pároco para não interferir com os festejos da Imaculada Nossa Senhora da Conceição, realizado na Matriz da Paróquia mais antiga da cidade. Durante a colocação, a praça do Sagrado Coração de Jesus estava cheia. Após a celebração da missa sob a marquise do Santuário, um guindaste da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) levantou a imagem lentamente, acompanhada das aclamações dos presentes, todos emocionados e felizes.
A Basílica Santuário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus, possui sua Capela do Santíssimo, que também é o Centro Arquidiocesano de Adoração Perpétua. No dia 13 de abril de 2017, na ocasião da Quinta-feira Santa, foi inaugurada a Nova Capela do Santíssimo, completamente reestruturada para melhor acolher o fiéis. No centro da Capela está o novo Sacrário/Expositor do Santíssimo Sacramento, que foi inspirado na parábola da Videira e do Agricultor, projetado pelo artista Júlio Quaresma, visando maior segurança na exposição diária que ocorre entre as 14 e 19 horas. Paredes de mármore branco “Paraná”, colunas rosa, altar branco contrastando suavemente com o fundo rosa, a capela é, segundo se exprimiu um sacerdote visitante, “Digna do Santíssimo Sacramento”.
A Capela possui oito belíssimos vitrais. Os vitrais da capela eucarística exprimem a piedade cristã em sua perene adoração do altíssimo mistério da Eucaristia. Eles foram fabricados pela empresa Colorlux Materiais de Construção Ltda., de São Paulo. Essa empresa também foi responsável pelo vitral externo, colocado no alto do Santuário, representando a maior coroa de espinhos do mundo.
Os vitrais que ocupam as partes laterais do Santuário foram confeccionados pela empresa Conrado – Vitrais e Cristais LTDA, especializada no comércio e na indústria de vidros e cristais, com sede na cidade de São Paulo. A execução da obra teve início por volta de 1978, sendo concluída em 1980. Em 1983, após uma tentativa de roubo sofrida pelo santuário, a mesma empresa foi novamente acionada para realizar a manutenção e o reparo dos vitrais danificados durante a ação criminosa.
Em 1997, após a festa do Sagrado Coração de Jesus iniciou-se a construção do salão de confissões anexo ao Santuário e do espaço para a secretaria paroquial. A conclusão e bênção desses espaços ocorreu em fevereiro de 1998. Naquele mesmo ano, no dia 5 de março, o salão foi abençoado pelo Vigário Paroquial, Pe. José Alves da Rocha. O salão recebeu o nome de “Pe. Guilherme Krupp”, em homenagem a esse grande colaborador do Santuário e “apóstolo do confessionário”, em 13 de julho de 2002. Essa justa homenagem é referente aos relevantes e inestimáveis serviços prestados ao povo de Deus, por meio do Sacramento da Penitência. Posteriormente, o salão de confissões foi reestruturado e deu origem à Capela da Misericórdia, inaugurada em 2019 como o novo espaço para as Confissões e Oração na Basílica.
No dia 21 de junho de 2019, foi inaugurado na Basílica do Sagrado Coração de Jesus a Capela da Misericórdia: o novo espaço para as Confissões e Oração na Basílica. Na entrada, há um grande painel que retrata a parábola do Filho Pródigo. No centro do painel está o Pai Misericordioso, de braços abertos, acolhendo a cada um que entrar na capela em busca do Perdão de Deus. Atrás deste painel, há a Passagem Bíblica de Lucas, em que mostra a alegria que há nos céus quando um pecador se converte. Os vitrais da Capela representam as cores do Arco-íris, que simboliza a aliança que Deus fez com o gênero humano, e que foi selada pelo Sangue de Jesus Cristo, que está representado pela tonalidade avermelhada, que sai da parte de trás da Cruz e percorre toda a Capela. No centro está a Cruz, de onde emana a nossa Salvação. Ao lado de Jesus Crucificado estão as figuras de Maria Madalena, João e a Virgem Maria. Também ladeiam a Cruz os anjos da Amargura e da Agonia.

Em 11 de agosto de 2019, durante o paroquiato do Pe. Marcos Macário Mendes, foi inaugurado o mosaico da abside da Basílica, concebido pelo artista sacro Júlio Quaresma, aprovado pela Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Mariana e executado pela mosaicista Marinella Spadon. Com mais de 300 mil tésseras e um ano de trabalho, a obra, inspirada no livro do Apocalipse, apresenta no centro o Cristo Pantocrator — “Aquele que tudo rege” — em túnica branca, envolto por mandorla dourada que simboliza sua glória celeste. Seus gestos e atributos expressam significados teológicos: a bênção com os dedos que recordam a Trindade e as duas naturezas de Cristo, o livro dos Evangelhos com a inscrição “Eu Sou” e os pés sobre a Terra, indicando seu juízo soberano. Ao redor, desenvolve-se o tema da batalha entre o bem e o mal: de um lado, as forças infernais e as ruínas de uma civilização sem Deus; de outro, o triunfo da Igreja conduzida pelos anjos, a Jerusalém Celeste, o anúncio do retorno do Senhor e a revelação do Espírito Santo aos quatro evangelistas, representados por seus símbolos tradicionais. Também figuram Nossa Senhora esmagando a serpente, a barca da Igreja e o combate de Miguel contra o Dragão. O conjunto é circundado pela citação do Salmo 33, 13-15, ressaltando o olhar soberano de Deus sobre a humanidade.
Os três vitrais posicionados à esquerda do altar retratam episódios marcantes da Paixão e da Ressurreição de Cristo. O primeiro representa a cena do Getsêmani (Mt 26,36-46), quando Jesus, em profunda agonia e prestes a ser traído, recolhe-se em oração e pronuncia as palavras inscritas no vitral: “Meu Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice” (Mt 26,39), enquanto um anjo lhe apresenta o cálice. O segundo vitral apresenta a crucificação segundo o Evangelho de João (Jo 19), com Cristo no centro, um soldado romano à sua frente e duas figuras femininas que acompanham o sofrimento aos pés da cruz, além da inscrição: “Um dos soldados lhe trespassou o lado com uma lança” (Jo 19,34). 
O terceiro vitral retrata a cena da Ressurreição narrada em João 20, destacando o encontro entre Jesus ressuscitado e Tomé, que toca suas chagas e proclama: “Meu Senhor e Meu Deus”. Outros dois personagens são representados nesse vitral. Provavelmente, trata-se de Maria Madalena, mencionada pelo Evangelista João no mesmo Capítulo, como a primeira a quem Jesus apareceu, e que logo depois foi anunciar: “Vi o Senhor” (Jo. 20,18). Atrás de Jesus, provavelmente, trata-se da figura de Pedro que, segundo o Evangelho de Mateus (16,18-19) recebeu as chaves do próprio Cristo: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”.
Os três vitrais posicionados à direita do Altar-Mor representam diálogos de Jesus, tanto com seus discípulos quanto com Santa Margarida Maria Alacoque, na ocasião de uma de suas aparições à religiosa no século XVII. O primeiro vitral, localizado mais próximo à porta central da Basílica, apresenta Jesus ao centro, com a cabeça envolta de um nimbo, com vestes em tons de vermelho, branco e roxo. O Mestre olha e aponta para cima enquanto é observado por aqueles que ouviam suas palavras ao seu redor. Na parte inferior do vitral, há um trecho do Evangelho de Mateus (11,29): “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. 
O segundo vitral dessa tríade, ao centro, representa a aparição de Jesus Cristo a Santa Margarida Maria Alacoque, em sua terceira revelação à religiosa, em 16 de junho de 1675. Naquela ocasião, como está representado no vitral, a Santa estava ajoelhada com os olhos fixos no tabernáculo e então Jesus apareceu para ela no altar e lhe disse: “Eis aqui o Coração que tanto amou aos homens”. Esses dizeres estão registrados na parte inferior do vitral. Durante essa aparição, Jesus pediu a Santa Margarida Maria que fosse instaurada uma festa em honra ao seu Divino Coração. Já o terceiro vitral, representa a Transfiguração do Senhor, conforme narrada no Evangelho de Mateus (17,1-8), episódio em que Jesus manifesta sua glória divina diante dos discípulos. Ao centro, Cristo aparece envolto em intensa luz, com vestes resplandecentes, simbolizando a revelação de sua natureza divina. Ao seu lado estão Moisés (segurando o suporte dos mandamentos) e Elias, representando a Lei e os Profetas, indicando que toda a Antiga Aliança encontra em Cristo seu pleno cumprimento. A inscrição na base é uma menção à fala do discípulo Pedro que, naquela ocasião, exclamou: “Senhor, é bom estarmos aqui” (Mt 17,4).
Os três vitrais frontais, que dão de frente para o Altar-Mor, foram inaugurados em 2025, na ocasião do Jubileu de Diamante, durante o paroquiato do Pe. Euder Daniane Canuto Monteiro. O vitral central apresenta a imagem do Sagrado Coração de Jesus de braços abertos, expressando o caráter acolhedor do Santuário Basílica e o chamado permanente à vivência da misericórdia. A representação de Cristo em corpo inteiro ressalta que a devoção ao seu Coração não se limita a um símbolo isolado, mas refere-se ao amor total de sua Pessoa divina e humana pela humanidade, conforme recorda o Evangelho de João: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Sobre a imagem, a inscrição “Venha a nós o Vosso Reino” (Mt 6,10) sublinha a dimensão orante e missionária própria de uma Basílica. A luz que irradia do vitral central e se estende aos laterais simboliza Cristo como “luz de verdade” (Jo 1,9). Aos pés de Jesus, as bandeiras do Vaticano e do Apostolado da Oração evidenciam a comunhão com o Santo Padre e a identidade do Santuário como sede arquidiocesana dessa devoção.
O vitral à esquerda destaca o Coração Imaculado de Maria, manifestando a profunda união entre os Corações de Jesus e de sua Mãe, cujo “sim” tornou possível a Encarnação. A presença da Basílica do Sagrado Coração de Montmartre remete ao centro mundial dessa espiritualidade. Figuram ainda santas ligadas à difusão da devoção: Santa Gertrudes de Helfta, Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Faustina Kowalska, testemunhas do amor misericordioso do Coração de Cristo, cuja fonte bíblica se encontra no lado aberto do Senhor (Jo 19,34).

O vitral à direita apresenta o Coração Castíssimo de São José, completando a devoção tricordiana promovida por Dom Frei Manuel da Cruz. Abaixo, figura a Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Miguel Burnier, em Ouro Preto, marco histórico da devoção na Arquidiocese. Entre os propagadores retratados estão São João Eudes, São Cláudio de La Colombière, o Pe. Bartolomeu Taddei, introdutor do Apostolado da Oração no Brasil, e Mons. Hermenegildo Adami Carvalho, primeiro pároco e grande incentivador da devoção na Arquidiocese de Mariana. O conjunto iconográfico expressa, assim, a dimensão espiritual, histórica e missionária do Santuário Basílica como centro de propagação do amor do Coração de Jesus.
A qualificação de Basílica Menor é concedida pela Santa Sé às igrejas que se destacam por sua relevância pastoral, litúrgica e, muitas vezes, artística, atraindo regularmente grande número de fiéis em peregrinação. Diferentemente das quatro Basílicas Maiores — Basílica de São Pedro, Basílica de São João de Latrão, Basílica de São Paulo Fora dos Muros e Basílica de Santa Maria Maior — que são exclusivamente as Basílicas Papais, as demais recebem o título de menores. Em 16 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II assinou o decreto que elevou o Santuário do Sagrado Coração de Jesus à dignidade de Basílica Menor, fato ocorrido providencialmente no dia litúrgico de Santa Margarida Maria Alacoque, ligada à devoção ao Sagrado Coração. O processo, que já havia sido tentado anteriormente sem êxito por falta de documentação, foi reapresentado por Dom Luciano com todos os requisitos exigidos pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e, excepcionalmente, aprovado na mesma semana. A celebração oficial da elevação ocorreu em 23 de novembro de 2003, na festa de Cristo Rei, reunindo milhares de fiéis em missa solene presidida por Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, com a presença do pároco Pe. Luiz Carneiro e autoridades civis.
O Jubileu é um tempo especial de graça concedido pela Igreja, no qual os fiéis podem obter a Indulgência Plenária — a remissão das penas temporais dos pecados já perdoados — mediante Confissão, Comunhão e oração nas intenções do Papa. Em 2024, o Santuário Basílica Sagrado Coração de Jesus recebeu da Santa Sé essa concessão para a Novena e Festa de seu Padroeiro, celebradas em junho, reconhecendo a relevância espiritual e regional dessas celebrações para Conselheiro Lafaiete e toda a Arquidiocese de Mariana, que naquele ano também comemorou os 150 anos de sua consagração ao Sagrado Coração de Jesus. A concessão do Jubileu destaca a força da tradição iniciada com a Novena em 1962, a prática da Entronização dos Lares desde 1967 e o grande afluxo de fiéis, que inclusive motivou a instituição de feriado municipal na data da festa.
Em 1º de janeiro de 2025, a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Conselheiro Lafaiete, celebrou seu Jubileu de Diamante pelos 60 anos de criação, com Missa pela manhã na intenção do município e, à noite, Missa Solene que marcou a abertura oficial das festividades. Nos dias 2, 3 e 4 de janeiro, realizou-se um tríduo preparatório, reunindo ex-párocos, padres convidados e diáconos. O primeiro dia contou com celebração presidida pelo Pe. Geraldo Gabriel, com participação de sacerdotes da Paróquia São José Operário, em Congonhas, e presença da Paróquia Santa Terezinha, que também comemorava 60 anos. O segundo dia foi presidido pelo ex-pároco Pe. Marcos Macário Mendes, então reitor da Basílica São José Operário, em Barbacena. O terceiro coincidiu com a celebração da Epifania do Senhor e foi presidido pelo Cônego Luiz Carlos Carneiro, também ex-pároco. No dia 5 de janeiro, data oficial do jubileu, foram celebradas as missas dominicais e, à noite, a celebração solene foi presidida por Dom Raymundo Damasceno Assis, Cardeal e Arcebispo Emérito de Aparecida, com ampla participação do clero e das pastorais. Ao final, houve a inauguração dos vitrais frontais do Santuário, dedicados à história da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e o descerramento da placa comemorativa em homenagem ao Monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho e aos demais padres falecidos que serviram à paróquia.
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