O Santuário Basílica Sagrado Coração de Jesus é adornado pelos vitrais que formam uma enorme Coroa de Espinhos e mais três tríades de vitrais nas partes laterais e frontais do templo.
VITRAIS DA COROA DE ESPINHOS
Na parte mais alta das paredes do corpo da Basílica estão os vitrais que compõem a Coroa de Espinhos, fabricados pela Colorlux Materiais de Construção Ltda., de São Paulo. Essa representação constitui a maior coroa de espinhos em vitral do mundo.



AS TRÍADES DE VITRAIS DO SANTUÁRIO BASÍLICA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Inicialmente, as tríades de vitrais foram instalados entre 1979 e 1980, durante o paroquiato de Mons. Hermenegildo Adami de Carvalho na Paróquia. A empresa responsável pela confecção e instalação dos vitrais foi a Conrado – Vitrais e Cristais, com sede em São Paulo. A execução do serviço de elaboração dos vitrais iniciou-se por volta de 1978 e a instalação foi concluída em 1980. Em 1983, após uma tentativa de roubo ao Santuário, a mesma empresa realizou a manutenção e o reparo dos vitrais danificados. Durante o paroquiato do Pe. Marcos Macário Mendes, os vitrais laterais passaram por nova reforma, devido à necessidade de restauração.
VITRAIS À ESQUERDA DO ALTAR (LADO DO BATISTÉRIO)
O primeiro vitral da tríade representa a cena do Evangelho de Mateus (26,36-46): a agonia de Jesus no Getsêmani. Prestes a ser traído por Judas Iscariotes e enfrentar a crucificação, Jesus ora ao Pai e recebe a visita de um anjo com o cálice, símbolo do sofrimento iminente. A inscrição inferior registra a súplica: “Meu Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice” (Mt 26,39), destacando a dimensão de obediência e entrega.
O segundo vitral retrata a Paixão de Cristo, conforme o Evangelho de João (19). Ao centro está o Cristo Crucificado, ladeado por um soldado romano e por mulheres fiéis — entre elas Maria, Maria de Clopas e Maria Madalena — que permanecem junto à cruz. A inscrição recorda o momento culminante: “Um dos soldados lhe trespassou o lado com uma lança” (Jo 19,34), sinal do lado aberto de Cristo, de onde brotam sangue e água.
O terceiro vitral apresenta a Ressurreição, segundo o Evangelho de João (20,28). Destaca-se o encontro de Jesus Ressuscitado com o apóstolo Tomé, que proclama: “Meu Senhor e meu Deus”. A cena enfatiza a fé e a bem-aventurança proclamada por Cristo: “Felizes os que não viram e creram”. Também aparecem outras figuras, possivelmente Maria Madalena, primeira testemunha do Ressuscitado (“Vi o Senhor” – Jo 20,18), e Pedro, a quem foram confiadas as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,18-19), símbolo da autoridade apostólica.

VITRAIS À DIREITA DO ALTAR (LADO DA CAPELA DA MISERICÓRDIA)
Os três vitrais à direita do Altar-Mor apresentam diálogos de Jesus, seja com seus discípulos, seja com Santa Margarida Maria Alacoque, no contexto das aparições do século XVII.
O primeiro vitral mostra Jesus com nimbo, vestes em tons de vermelho, branco e roxo, ensinando aos que o cercam. A inscrição do Evangelho de Mateus (11,29) destaca: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”, ressaltando a espiritualidade da mansidão e da humildade do Coração de Jesus.
O segundo vitral representa a terceira aparição de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 16 de junho de 1675. A religiosa aparece ajoelhada diante do tabernáculo, quando Cristo lhe revela: “Eis aqui o Coração que tanto amou aos homens”. Nesta revelação, Jesus pede a instituição da Festa do Sagrado Coração, consolidando a dimensão litúrgica da devoção.
O terceiro vitral retrata a Transfiguração do Senhor, conforme Mateus (17,1-8). Cristo aparece envolto em luz intensa, com vestes resplandecentes, manifestando sua glória divina. Ao seu lado estão Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas, sinal de que a Antiga Aliança encontra seu cumprimento em Cristo. A inscrição recorda a exclamação de Pedro: “Senhor, é bom estarmos aqui” (Mt 17,4), expressão da experiência da revelação e da contemplação da glória.



Tríade de vitrais laterais à direita do altar-mor
Os vitrais frontais do Santuário Basílica Sagrado Coração de Jesus foram inaugurados em 1º de janeiro de 2025, ano do Jubileu de Diamante de criação e instalação da Paróquia. Eles foram elaborados e instalados no paroquiato do Pe. Euder Daniane Canuto Monteiro. Confeccionados pela Casas Ciano, de Vinhedo-SP, os vitrais ocupam uma área total de 56, 57 m² e oferecem complementação harmônica, estética e litúrgica ao Santuário Basílica Sagrado Coração de Jesus, cultivando ainda mais neste templo seu aspecto orante e contemplativo. Em resumo, esses novos vitrais contam a história da devoção ao Coração de Jesus e presta uma homenagem a todos os propagadores dessa devoção, dentre os quais, destaca-se o Monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho, primeiro Pároco desta Paróquia.
O vitral central apresenta a imagem do Sagrado Coração de Jesus de braços abertos, indicando o papel acolhedor do Santuário Basílica e a necessidade sempre presente de se cultivar este espírito de acolhida e misericórdia para com todos. Além disso, pretende-se expressar através da imagem de Jesus de corpo inteiro aquilo que significa a devoção ao Coração de Jesus. Não se trata de uma devoção apenas a uma parte de Jesus ou apenas a um órgão biológico. Mas, a devoção ao Coração de Jesus refere-se ao reconhecimento do Amor que a Pessoa inteira, divina e humana de Jesus, nutre por toda a Humanidade e pela Criação a ponto de transbordar. A respeito disso, diz o Evangelista João que: Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Acima da imagem do Sagrado Coração de Jesus está inscrito o versículo bíblico “Venha a nós o Vosso Reino” (Mt 6,10), com o objetivo de recordar que cabe a todos os fiéis fazer sempre essa súplica, como rezamos no Pai Nosso, uma vez que esse é o sentido principal de uma Basílica.

A raiada em torno da imagem do Sagrado Coração de Jesus inicia-se no vitral central e se propaga pelos vitrais laterais, indicando que tudo o que existe e todos nós somos iluminados por essa luz que é Jesus. Como lembra o Evangelho de João 1, 9, Jesus é “a luz de verdade que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano”. Abaixo da imagem de Jesus, sob seus pés, estão as bandeiras do Vaticano e do Apostolado da Oração, indicando que a Igreja e o Apostolado da Oração encontram seu sentido na dócil submissão ao Rei do Universo, além de enfatizar a dimensão da comunhão deste Santuário Basílica com o Santo Padre, Supremo Pontífice e Pastor da Igreja, bem como frisar que este Santuário Basílica é a sede do Apostolado da Oração da Arquidiocese de Mariana e centro de propagação da devoção ao Coração de Jesus para todo seu território.
O vitral à esquerda da imagem principal traz ao centro a imagem do Coração Imaculado de Maria, indicando que existe uma profunda comunhão entre a devoção ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria. No Coração da Mãe, puro e imaculado, Deus quis agir em favor da Humanidade, enviando-nos, através de seu sim generoso, o Salvador do Mundo. Abaixo, encontra-se a Basílica Sacré-Coeur, situada em Paris, na França, referência espiritual da devoção ao Coração de Jesus no mundo. As personagens femininas representadas estão vinculadas à propagação e à revelação do Amor de Deus, tornando-se instrumentos de seu anúncio.

Em sentido anti-horário, aparece Santa Gertrudes (1256-1301), monja cisterciense, que reclinou a cabeça sobre o Coração de Cristo e escutou seus batimentos, sinal da doçura reservada para renovar o mundo no amor de Deus. Em seguida, Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), da Ordem da Visitação, que relatou as aparições do Coração de Jesus entre 1673 e 1675, tornando-se grande apóstola dessa devoção. O terceiro lugar é ocupado por Santa Terezinha do Menino Jesus (1873-1897), que viveu a espiritualidade da amizade, da confiança e da misericórdia, expressando íntima união com o Coração de Cristo. Sua presença também manifesta comunhão com a Paróquia Santa Terezinha (1965). Por fim, encontra-se Santa Faustina Kowalska (1905-1938), propagadora da Divina Misericórdia, que difundiu a imagem com a inscrição “Jesus, eu confio em Vós”. Sua experiência está ligada ao mistério do lado aberto de Cristo, de onde brotam sangue e água, sinais da Redenção e da Infinita Misericórdia.
O vitral à direita apresenta o Coração Castíssimo de São José, completando a devoção tricordiana aos três corações: Jesus, Maria e José. Essa devoção remete ao primeiro Bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, que promoveu essa espiritualidade em sua diocese. Abaixo, está representada a Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Miguel Burnier, instituída como Santuário Arquidiocesano por Dom Helvécio Gomes de Oliveira, destacando a história da devoção na Arquidiocese de Mariana.

Entre os homens propagadores da devoção destacam-se São João Eudes (1601-1680), fundador da Congregação de Jesus e Maria e promotor do primeiro ofício litúrgico do Sagrado Coração; São Cláudio de La Colombière (1641-1682), confessor de Santa Margarida e defensor das revelações, fortalecendo a Festa do Sagrado Coração; o jesuíta Pe. Bartolomeu Taddei (1837-1913), introdutor do Apostolado da Oração no Brasil; e Mons. Hermenegildo Adami Carvalho (1920-1994), primeiro pároco e diretor arquidiocesano do Apostolado, cuja missão marcou profundamente a evangelização, a edificação do Santuário Basílica Sagrado Coração de Jesus e a propagação desta devoção em Conselheiro Lafaiete – MG.
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